Feeds:
Posts
Comentários

A casa negra

Não sou eu na foto oks, só achei interessantÃssimo.

ps: Não sou eu na foto oks. Só achei interessantíssimo.

 

Toda a casa encontrava-se adormecida, as luzes estavam todas apagadas. Estava um silêncio total e também escuridão, se não fosse pela pequena lanterna acesa que Clara segurava, firme, em sua mão direita. A pressão que a lanterna fazia apesar de ser pouca, fazia-a estremecer de dor. E a trazia as lembranças da noite passada, as quais ela esforçava-se ao máximo para esquecer. Ele a puxando, empurrando, gritando, a forçando a fazer o que não queria. O pedaço de ferro talvez tenha salvado a sua vida, mas também deixado aquela marca profunda em sua mão direita, que agora latejava de dor. Segurou a lanterna um pouco mais firme. Ela caminhava com paços lentos, quase imperceptíveis. Esforçando-se para não deixar rastros. Passou pela sala-de-estar e observou uma pintura mística pendurada na parede a qual o significado ela não soube identificar, andou mais um pouco e atravessou a sala, levou um susto quando quase esbarrou numa mesa enorme com dez cadeiras estranhamente viradas para o lado oposto da mesa. Continuou andando, agora pelo corredor, e ao seu lado esquerdo percebeu uma porta entreaberta, empurrou-a um pouco e colocou a lanterna na direção do cômodo. Avistou a parede, toda composta por um azulejo marrom escuro. Foi descendo a lanterna, até avistar uma pia. Caminho errado, pensou, e continuou a andar. O silêncio penetrava em seus ouvidos. O medo tentava, a cada segundo mais, tomar conta dela, mas isso não ia acontecer. A revolta que sentia expulsaria qualquer coisa que aparecesse no caminho, fosse medo, receio ou mesmo perigo. Continuou, com o olhar atento e faro aguçado e a certeza de que ia conseguir alcançar o seu obejetivo, terminar o que começou.

Ligo a TV e escuto a protagonista da novela falando: – Preta isso, preta aquilo. Isso se referindo a uma outra protagonista, no caso de pele negra. Depois mudou de cena e agora o protaginista conversava com uma mulher de pele branca: – Branca isso, branca aquilo – dizia. Senti um repúdio daquilo. Porquê uma pessoa de pele branca é apelidada sempre de branca e uma de pele escura de negra? Não é tão simples como parece. Apelidar alguém de branco ou de negro tem sentido pejorativo sim. É abominável ficarem fazendo refência contínua ao tom de pele de alguém. De que importa? Não tem necessidade alguma de ficar expondo essa tênue diferença racial como se fossem dois opostos distintos. “Ah, mas é apenas um nome decorrente de um fato” dizem. Errado. Porque então não apelidar: “Morena”, “Mestiça”, “Mulata” ou de outras dentre as muitas raças existentes? Porque só: “Preta” e “Branca”? Como se todos nós fossemos “raça-pura”. E não somos. É raríssimo encontrar uma pessoa cem por cento branca, ou negra. Enfim, essa fixação por denominar tons de pele de claro ou escuro é um ultraje. Sempre preto ou branco, sal ou açúcar.   

Todos nós podemos mudar o mundo. E o fazemos, em parte. Só o fato de nós existirmos já transforma o planeta sob algum aspeto, qualquer que seja. Quando acordamos e damos um mísero passeio pela redondeza ou vamos ao mercado, estamos transformando o universo. Atuando. Gerando consequências que, mesmo não sendo identificadas no instante do ato, surgirão. Talvez de uma forma sutil, talvez não, mas surgirão. Ao comprimentarmos uma pessoa, estamos mudando sua rota. Roubando segundos e fazendo-os do nosso jeito. Se o fato de que se dermos um passo desatento podemos mudar toda uma história, imagine o que acontece se traçarmos um objetivo e nos pusermos a correr.

Respira, respira.

Tem dias que são estranhos mesmo. Em que você tem aquela sensaçãozinha que algo está errado, talvez faltando, talvez sobrando. Milhões de pensamentos veêm á tona e em segundos parece que somem sem deixar vestígios. Qualquer motivo o aborrece, é uma irritação constante. As pessoas ao seu redor parecem ser todas adversárias, esforçando-se para que você perca o jogo, perca a linha. Completamente tudo parece que foi feito para dar errado, e você só se deu conta disso agora. E dá. O dia corre devagar, sutil porém penoso, agoniante. Tudo desanda, a cabeça esquenta, os nervos estremecem. Aí surge a dúvida, o que está acontecendo com o mundo? E com você? Respira, respira. As pessoas possuem fases e o tempo não para jamais. Suas duas certezas úteis.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.